31 de ago. de 2010

Mantra


A tradução da palavra mantra é literalmente “algo onde se pode apoiar a mente”, “suporte para a mente” ou “instrumento para a mente”. Portanto, os mantras, ajudam a estabilizar a mente , concentrar e libertar a mente. A sua pratica faz que tenhamos estados mentais construtivos , reforça o treinamento mental , aumenta a inteligencia básica, a atenção, a concentração e o nívelde percepção.
Existem diferentes tipos de mantras: mantras de cura, de sabedoria, de compaixão, de percepção, de purificação, mantras coléricos (para remover obstáculos) e mantras da paz.
Às vezes ouvimos mantras de uma sílaba, como o “Om” ou “Ah”. Esses são chamados mantras de sílaba semente. Como a semente de uma linda planta, as sílabas únicas carregam dentro de si os ensinamentos , mistérios , sabedoria e realizações do fruto final ou da flor da iluminação desperta.

“Os antigos mahasanghikas tinham em seu cânone uma coleção especial de fórmulas mântricas chamada Dharani Pitaka ou Vidyadhara Pitaka. Os dharanis eram meios de fixar a mente sobre uma idéia ou pensamento, uma visão ou experiência obtida na meditação. Estes podem representar a quintessência de um ensinamento, assim como a experiência de determinados estados de consciência, que desta forma podem ser relembrados ou recriados deliberadamente a qualquer momento. Por isso também são chamados de suportes, receptáculos ou berços da sabedoria (sânsc. vidyadhara). Não são funcionalmente diferentes dos mantras, mas em certo grau nas suas formas, já que podem atingir uma extensão considerável e algumas vezes representam a combinação de vários mantras ou sílabas sementes (sânsc. bija-mantra), ou a quintessência de um texto sagrado. Eles eram tanto um produto quanto meio de meditação: "Através da meditação profunda (sânsc. samadhi), adquire-se uma verdade; através do dharani, ela é fixada e retida na memória". [...] Nos textos páli mais antigos [da tradição Theravada], encontramos mantras de proteção ou parittas para afastar perigos, doenças, cobras, espíritos, influências nefastas e outras, assim como criar condições benéficas como saúde, felicidade, paz, um renascimento feliz, riqueza e assim por diante.”
(Lama Anagarika Govinda, Foundations of Tibetan Mysticism)

“Um mantra não é nem uma "palavra mágica" nem um "encantamento". é um instrumento da representação e concentração mentais e por isso um recurso do poder mental (mas não de forças sobrenaturais). A raiz man significa "pensar", enquanto o sufixo tra exprime um instrumento, um recurso de acionamento. O efeito do mantra não depende, por conseguinte, de sua entonação — este é outro mal-entendido amplamente divulgado —, mas sim da atitude mental, das associações conscientes e inconscientes que são criadas através da intuição e dos exercícios a ela ligados. “
(Lama Anagarika Govinda, Reflexões Budistas)

“A relação entre a fala, a respiração e o mantra pode ser melhor demonstrada através do método pelo qual o mantra funciona. [...] Através da pronunciação repetida, pode-se obter controle sobre uma determinada forma de energia. A energia do indivíduo está fortemente ligada à energia externa, e uma pode influenciar a outra. [...] É possível influenciar a energia externa, efetuando os assim chamados "milagres". Tal atividade é realmente o resultado de se ter controle sobre a própria energia, através do qual se obtém a capacidade de comando sobre fenômenos externos”.
(Chögyal Namkhai Norbu, Dzogchen)

28 de ago. de 2010

Ushiwaka-maru treinando com os tengus

O Grande Mestre e o Guardião (conto)

O Grande Mestre e o Guardião dividiam a administração de um Mosteiro budista. Certo dia o Guardião morreu e foi necessário substituí-lo. O Grande Mestre reuniu todos os discípulos para escolher quem teria a honra de trabalhar diretamente a seu lado.
- Lembrem-se - disse o Grande Mestre - que a função do Guardião é manter a união e o amor entre todos os membros da nossa comunidade. Por isso, apresento-lhes um problema. Aquele que primeiro o resolver será o novo Guardião do Templo.

Terminado seu curto discurso, colocou um banquinho no meio da sala e sobre ele um vaso de porcelana caríssimo, com uma rosa vermelha que o adornava.
- Este é o problema - disse o Grande Mestre. - Resolvam-no!

Os discípulos contemplaram perplexos o "problema". Viram os desenhos sofisticados e raros da porcelana, a fragrância e beleza da flor... Que representava aquilo?... O que fazer?... Qual seria o enigma? Passou o tempo sem que ninguém acertasse o que fazer a não ser ficar olhando para o "problema". Finalmente um dos discípulos levantou-se, olhou para o Mestre e para os demais alunos, sacou a espada, dirigiu-se ao centro da sala e destruiu tudo num só golpe, quebrando-o em mil pedaços.

- Finalmente alguém conseguiu!!! - exclamou o Grande Mestre. - Começava a duvidar da formação que lhes demos em todos estes anos. Você é o novo Guardião.

Quando o aluno voltou ao seu lugar, o Grande Mestre explicou:
- Eu fui bem claro: disse que vocês estavam diante de um "problema". Não importa o belo e fascinante que seja um problema: deve ser eliminado. O problema é um problema. Pode ser um vaso de porcelana muito caro, um lindo amor que já não tem sentido, um caminho que precisa ser abandonado, por mais que insistamos em percorrê-lo porque nos é mais cômodo...

Só existe uma maneira de lidar com um problema: atacando-o cara a cara. Nessas horas não se pode ter piedade, nem ser tentado pelo lado fascinante que qualquer conflito traz consigo. Lembrem-se de que um problema é um problema. Não é questão de "dar um jeitinho", de deixar para amanhã... No fim das contas não é mais do que "UM PROBLEMA". Não fuja dele! Não o esconda! Acabe com ele!... e continue sua missão... sua missão de AMOR!
(Lenda budista)

27 de ago. de 2010

Plena Atenção

Há 2500 anos, quando Buda instruía seus discípulos sobre o que significa viver com Atenção Plena Correta, ele disse: " O discípulo age com compreensão clara quando vai e quando vem...age com compreensão clara quando olha para a frente e para a trás...age com compreensão clara quando come, bebe, mastiga e sente gostos...age com compreensão clara ao andar, ficar de pé, sentar, dormir, despertar...age com compreensão clara ao falar e ao ficar em silêncio."
O Buda pedia as discípulos que estivessem completamente cônscios, totalmente despertos em tudo o que fizessem. Não podemos nos esquecer jamais de que a prática da atenção plena e da percepção está diretamente ligada à realidade. Ela é a visão clara. O Buda estava dizendo a seus seguidores para não viverem no passado, nem no futuro, mas para estarem conscientes e acordados no presente, e na verdade daquilo que é. E é isso que cultivamos a meditar: a percepção do que é. Para os discípulos do Darma, esta prática remete diretamente à verdade e à realidade segundo a definição mais simples : As coisas como elas são.


Fragmento retirado do livro:O Despertar do Buda Interior, autor: Lama Surya Das, editora Rocco

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