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21 de mar. de 2013

Hachi Dainin Kaku (Oito Aspectos da Iluminação) - Mestre Dogen Zenji

(Retirado do site Daissen - Portal Zen

Os Oito Aspectos da Iluminação
(HACHI DAININ KAKU)
Dogen Zenji
Tradução para o Português de Giovanni Dienstmann*


Os vários Budas foram todos pessoas iluminadas. A sua iluminação possui oito aspectos importantes. A realização destes oito aspectos é a base do Nirvana. Este foi o ensinamento final do nosso professor original, o Buda Shakyamuni, dado na noite de sua morte.

1. Ter poucos desejos
Ter poucos desejos significa não buscar extensivamente os objetos de desejo.
O Buda disse: “Praticantes! Vocês deveriam saber que aqueles que querem muitas coisas buscam tanto a fama quanto o ganho, e assim as suas aflições são muitas. Aqueles com poucos desejos, entretanto, nada procuram e não tem anseios, e assim não sofrem. Portanto vocês deveriam rapidamente se libertar da cobiça, tanto por este motivo como pelo motivo de que esta liberdade dará origem a várias virtudes. Além disso, as pessoas com poucos desejos estão livres da lisonja e da extraviação, e também não são escravizadas pelos seus próprios sentidos. Satisfeitos com pouco, eles não possuem preocupações ou medos, estando assim sempre calmos. Aqueles que tem poucos desejos tem o Nirvana.”

2. Satisfação
Satisfação significa estar contente com o que quer que se tenha.
O Buda disse: “Praticantes! Se vocês desejam se libertar do sofrimento vocês deveriam observar a satisfação. Estar satisfeito é ter um estado mental pacífico e feliz. Uma pessoa satisfeita é feliz mesmo que tenha que dormir no chão, enquanto que uma pessoa insatisfeita é infeliz mesmo vivendo em um palácio. A primeira é rica mesmo que seja pobre, a segunda é pobre ainda que seja rica. A pessoa satisfeita sente compaixão pela insatisfeita, pois esta é continuamente levada pelos cinco desejos[1].”

3. Apreciar a quietude
Isso significa viver uma vida solitária, separada de todas as perturbações mundanas.
O Buda disse: “Praticantes! Se vocês desejam desfrutar o silêncio e a felicidade do Nirvana, vocês deveriam deixar o clamor para trás e viver sem barulho em um local solitário. As pessoas que vivem em lugares quietos são respeitadas pelos deuses. Por isso vocês deveriam abandonar o seu apego ao ‘eu’ e aos ‘outros’ e viverem sozinhos, dessa maneira eliminando a raiz do sofrimento. Aqueles que gostam de multidões são perturbados por elas e sofrerão os seus aborrecimentos, da mesma forma em que uma árvore seca e quebra quando muito pássaros pousam sobre ela. Laços e apegos mundanos lhes afundam em um mar de dores, como um velho elefante atolado no lamaçal.”

4. Diligência
Cultivar virtudes sem interrupção é chamado diligência, pura e genuína, avançando sem olhar para trás.
O Buda disse: “Praticantes! Se vocês forem diligentes em seus esforços, nada será difícil. É como mesmo um pequeno fio d’água ser capaz de perfurar uma rocha se continuamente cai sobre ela. Entretanto, se vocês forem negligentes em sua prática e se suas mentes constantemente desanimarem, isso será como friccionar pauzinhos para produzir fogo mas parar antes que eles fiquem quentes – pode algum bom resultado ser esperado disso?”

5. Plena Atenção
Conservar os ensinamentos sem esquecimento é chamado de plena atenção, e também de “lembrança perseverante”.
O Buda disse: “Praticantes! Se vocês procuram um bom mestre e protetor, nada se compara à plena atenção. Aqueles que mantêm a plena atenção não são invadidos pelas aflições e permanecem livres de várias ilusões. Portanto, vocês deveriam se manter plenamente atentos, pois aqueles que perdem a plena atenção perdem as virtudes e seus méritos. Se vocês mantiverem a plena atenção, permanecerão ilesos mesmo quando cercados pelos desejos.”

6. Meditação
Meditação significa permanecer no Darma sem distração, com uma mente imperturbável.
O Buda disse: “Praticantes! Se vocês concentrarem a mente ela entrará em um estado de estabilidade, e assim vocês poderão compreender as características dos fenômenos surgindo e desaparecendo no mundo. Fazendo isso suas mentes permanecerão imperturbáveis. Assim como aqueles que querem evitar inundações constroem uma barragem, assim também o praticante cultiva a meditação para evitar que a água da sabedoria se perca.”

7. Sabedoria
Desenvolvendo a aprendizagem, aplicação e compreensão, a realização é a sabedoria.
O Buda disse: “Praticantes! Se vocês tiverem sabedoria, vocês não se apegarão aos desejos. Vocês devem examinar a si mesmos continuamente, sem permitir nenhum descuido, pois este é o caminho da iluminação. Aqueles que não praticarem isto não são monges nem leigos – não há como se referir a eles. A verdadeira sabedoria é como barco seguro para atravessar o oceano da doença, velhice e morte; como uma tocha luminosa na escuridão da ignorância; como um bom remédio para todas as doenças; e como um machado afiado para cortar a árvore das ilusões. A sabedoria resultante do ouvir, refletir e praticar o Darma pode assim ser usada para aumentar o seu mérito no Caminho. Se alguém chegar a possuir a luz da sabedoria, poderá ver a Verdade com os seus próprios olhos.”

8. Abster-se das conversas vãs
Abster-se das conversas vãs significa desapegar-se da discriminação arbitrária; quando nós compreendemos a realidade plenamente, nós não mais nos envolvemos em conversas fúteis.
O Buda disse: “Praticantes! Se vocês se entregarem a diversos tipos de conversas fúteis, sua mente será perturbada. Daí, mesmo se vocês se tornarem monges, não alcançarão a iluminação. Por isso, vocês devem imediatamente abandonar esse tipo de conversas. Apenas aqueles que fazem isso podem experimentar a tranqüilidade e bem-aventurança do Nirvana.”

Estes são, então, os oito aspectos da iluminação. Cada um deles contêm os outros oito, então são sessenta e quatro. Falando de forma mais ampla, se você os desdobrar, eles se tornam infinitos; se os resumir, são sessenta e quatro. Este foi o último ensinamento do nosso grande mestre Buda Shakyamuni, a essência do Mahayana, pronunciado por volta da meia-noite do dia 15 de fevereiro. Daí em diante ele permaneceu em silêncio até a sua morte.
O Buda disse, concluindo: “Praticantes! Sempre busquem com todo o coração pelo Caminho da Libertação, já que todas as coisas no mundo, móveis e imóveis, são formas instáveis sujeitas à morte. Parem agora e não falem mais. O tempo está acabando e eu vou atravessar para a extinção. Este é o meu último ensinamento.”
Portanto, os discípulos do Buda definitivamente devem estudar esses princípios. Aqueles que não estudam e praticam esses ensinamentos não são discípulos do Buda. Esses ensinamentos são Tesouro do Olho do Darma Verdadeiro, o coração do Nirvana. Apesar disso, entretanto, existem hoje muitos que ignoram estes ensinamentos, e poucos que estão consciente deles. Aqueles que não entraram em contato com esses ensinamentos estão nessa situação devido à influencia de demônios e também devido à falta de ações virtuosas no passado.
Antigamente, nos períodos do verdadeiro Darma e da imitação do Darma, todos os Budistas conheciam e praticavam estes oito aspectos. Hoje em dia, entretanto, é difícil encontrar um ou dois entre mil monges que conheça estes ensinamentos. Que pena – a decadência desta nossa era degenerada é mesmo inimaginável. Devemos nos apressar para apreender e praticar esses ensinamentos já que ainda é possível encontrá-los. Não sejam negligentes!
É difícil encontrar os ensinamentos do Buda mesmo em incontáveis éons[2]. É igualmente difícil nascer como um ser humano. Nós não só tivemos a sorte de nascer como seres humanos, como também a sorte de nascer em um local onde é possível ouvir os ensinamentos do Buda. Aqueles que morreram antes do Buda também não ouviram esses ensinamentos. Graças ao poder das nossas ações virtuosas no passado, entretanto, nós podemos ouvi-los e estudá-los. Agora, nós devemos estudar e desenvolver estes oito aspectos vida após vida, e assim certamente alcançaremos a insuperável iluminação. Se, além disso, nós os expusermos a todos os seres senscientes, então nós mesmos não seremos diferentes do Buda Shakyamuni.
(Escrito em Eiheiji, em 6 de janeiro de 1253)




* Fiz esta tradução adaptada baseado na tradução para o inglês de Thomas Cleary e de Yuho Yokai, em fevereiro de 2004 (N.T.)




[1] Segundo a doutrina budista clássica, os Cinco Desejos são: comida e bebida; sono; sexo; riquezas e bens; fama. (N.T.)
[2] Éons são períodos incontavelmente longos de tempo, durando milhões e milhões de anos. (N.T.)

25 de ago. de 2011

Prática Constante-Iluminação-Caminho

A Necessidade de Constantemente Praticar e assim Realizar o Caminho

Pessoas comuns acreditam que os postos de governo podem ser alcançados através de estudos. Xaquiamuni Buda ensina que na prática está a iluminação. Nunca ouvi falar de alguém que tenha se tornado membro do governo sem estudar adequadamente. Nunca ouvi falar de alguém que tenha alcançado a iluminação sem praticar.

Embora seja verdade que existam diferentes métodos de treinamento — iniciados pela fé ou pela compreensão do Darma, com ênfase na realização súbita ou gradual(10) — sempre é necessário praticar para realizar iluminação.

Mesmo que a profundidade e a velocidade de compreensão das pessoas sejam diferentes, a posição governamental é obtida quando há experiência acumulada. Isso não depende de habilidade especial ou sorte.

Se o posto de um governante pudesse ser adquirido sem estudo de governança, quem iria transmitir o método pelo qual os reis antigos puderam governar com sucesso, tanto em tempos de ordem como em momentos de desordem?

Caso a iluminação pudesse ser adquirida sem treinamento, quem poderia compreender os ensinamentos do Tathagata(11), distinguindo, como Ele fez, a relação entre delusão e iluminação? Compreenda que embora pratique no mundo da delusão, a iluminação já está presente. Então, pela primeira vez, você perceberá que barcos e canoas de discursos retóricos são apenas sonhos passados e será capaz de cortar para sempre sua visão antiga, amarrada às vinhas e serpentes das palavras.

Buda não impõe essa visão a você. Ela aparece naturalmente a partir de sua prática no Caminho — a prática convida à iluminação. Seu tesouro natural não vem do exterior. Uma vez que a iluminação é uma com a prática, a ação iluminada não deixa traços. Portanto, quando olhar novamente a prática com olhos iluminados, nenhuma ilusão atingirá seus olhos. Nuvens brancas por dez milhões de ri encobrem o céu.

(NT – assim como é, é. Os olhos iluminados são a prática diária sem atributos extraordinários)

Quando a iluminação está em harmonia com a prática, você não pode pisar nem mesmo em um grão de poeira. Se o fizer, estará tão distante da iluminação quanto o céu está da terra.

Retorne ao seu Eu verdadeiro e vá além do nível Buda.





Gakudo Yojinshu – Guia para a prática do Caminho, Mestre Dogên Zenji.
http://www.monjacoen.com.br/textos-budistas/textis-tradicionais/107-gakudo-yojinshu-guia-para-a-pratica-do-caminho-

3 de set. de 2010

Poemas do Caminho (O-Sensei Ueshiba Morihei)


"Forje o espírito
de acordo com a vontade divina;
busque a luz e o calor
da Espada Universal
e siga em direção à iluminação".

24 de ago. de 2010

A iluminação através da espada


Fragmentos extraidos do livro: O Zen na arte de conduzir a Espada, de Reinhard Kammer, uma tradução do livro japones de nome Tengu Geijutsu Hon (Discurso sobre a Arte dos Demônios da Montanha)de autoria de Shissai Chozan.

"Se praticassemos com o Céu e com a Terra, e com todas as coisas deste mundo, como fazemos com a espada, e se destroçácemos essa caixa , então o mundo inteiro, em toda sua vastidão, se encheria de luminosidade, e as reações do coração seriam livre e ilimitadas. Então, até os nossos mais poderosos adversários, tais como a riqueza, a nobreza, a pobreza, o nascimento em condições humildes, a infelicidade e a necessidade, o sofrimento e a dor, poderiam nos ameaçar por todos os lados, e os pensamentos não se deslocariam nem um pouco. Os adversários seriam expulsos do mesmo modo como se afugenta uma mosca com um leque. Todos abatidos em nossos pés, nenhum poderia levantar a cabeça."

"Ocorre, em geral, que um homem, tendo alcançado o domínio de uma única arte, atua incessantemente a partir do seu coração, pois aí ele já logrou um vislumbre do Princípio do Caminho. Porém, como seu propósito esta dirigido primeiro a essa sua arte, ele fica preso a ela e não é possivel percorrer o Caminho."

"Quando um homem tem um propósito firme, nem as divindades ou os demônios do Céu e da Terra podem impedi-lo. NO que diz respeito às circunstâncias exteriores, portanto, ele as confia à ação do Céu. Porém, no que diz respeito ao Eu, é o homem que realiza sozinho a sua própria vontade. O homem inferior preocupa-se com o que faz o Céu, mas é displicente em suas próprias ações."

"O que importa, tanto na sabedoria quanto na arte da espada, é conhecer-se a si mesmo. Quando um homem conhece a si mesmo, o seu interior torna-se claro, e ele está conscientemente atento."

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