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28 de mar. de 2017

Budismo: Transmissão de Vasumitra para Buddhanandi.

Transmissão de Vasumitra para Buddhanandi.

Buddhanandi era um especialista em filosofia e dialética. Ao encontrar o mestre Vasumitra, decidiu desafiá-lo:



Buddhanandi: Vim debater com você sobre a natureza da verdade. 
Vasumitra: Meu caro amigo, a verdade não tem dois lados; logo, nunca foi e nunca poderá ser debatida. Qualquer coisa que seja debatida, por mais profunda que seja, simplesmente não é a verdade. Tudo o que é declarado sobre a verdade, por mais coerente e correto, permanece apenas no nível da discussão. Sempre há alguma perspectiva, em que qualquer afirmação pode e deve ser debatida. Até mesmo a menor intenção de afirmar ou discutir já encobre o que é real. Nenhuma afirmação verbal, como dizer que "a mente e seus objetos não estão fundamentalmente separados", pode ser a verdade. A afirmação verbal de que "a verdade está além das palavras e dos pensamentos" também não é a verdade. Afirmar que "sujeito e objeto são esquecidos na iluminação", ou expressar que "sujeito e objeto não são esquecidos na iluminação", também não são a verdade.

A afirmação do bodhisattva Manjushri de que "a realidade está muito além da fala" é uma expressão excelente da verdade, mas é não é verdade real. Até mesmo a resposta radical de Vimalakirti, sentado em silêncio trovejante, é uma mera expressão do que é real. Enquanto intervir qualquer senso de definição, ou mesmo um senso de expressar a verdade, o princípio da natureza não-nascida não pode ser esclarecido, e permaneceremos confusos, mesmo que sejamos discípulos de Buddha.
Extinguir o corpo e a mente em uma concentração inquebrantável é uma obstrução severa. Até mesmo o mais alto caminho do rejeitar os dualismos de "delusão" e "iluminação", de evitar as noções de "impureza" e "pureza", é uma venda opaca. Tanto a forma quanto a não-forma adulteram a verdade, assim como a miragem adultera o deserto. Não devemos nem procurar a verdade através das formas douradas de buddhas, nem através da sua brilhante não-forma. Se você afirmar que o samsara é um sonho, ainda sobra alguém sonhando e alguém afirmando. Que engraçado! Mesmo a diferenciação entre "falso" e "verdadeiro" permanece no nível da discussão perene e portanto não é a verdade. Simplesmente seja a verdade! Mas não ache você irá se tornar uma lagoa tranquila ou um céu imaculado!
Subitamente, Buddhanandi realizou a verdade, além das meras expressões.


Fonte: Adaptação de um caso do "Denkoroku" feita pelo extinto site Dharmanet.com.br.


20 de ago. de 2012

Conto: O Samurai e o Lago

Um samurai depois de ser sido derrotado numa importante prova de habilidades, vagou sem rumo com os pensamentos confusos, enfurecido, sem querer aceitar a derrota. Parou em um lago que encontrou no seu caminho e lançou violentamente uma pedra contra as suas águas, que se agitaram violentamente. O samurai ainda com raiva e ressentido, percebeu algo e refletiu: 
- “Mesmo ofendido e perturbado com a pedra que atirei, em instantes o lago se recompôs, retornando a tranquilidade inicial."

O samurai concluiu que mesmo que lançasse todas as pedras da redondeza, pequenas ou grandes, o lago sempre retornaria à sua natural tranquilidade, como se nunca tivesse sido atingido por nada.

Ao refletir sobre isso o homem evocou "Mizu no kami"(O Espírito das Águas):

- “Espírito das Águas, por que quando meu coração é ferido ficam cicatrizes e este lago, em instantes apaga todos os vestígios da agressão sofrida”?

Respondeu o “Espírito das Águas”:

- “O Lago faz com que a pedra se perca na sua grandeza e profundidade, logo, é como ser atingido por nada. O lago conserva consigo o silêncio, e não as queixas. Eis o segredo de sua serenidade”.

O Samurai curvou respeitosamente em gratidão para o lago e declarou ao “Espírito das águas”:

- “Hoje aprendi um grande ensinamento com as águas silenciosas de um lago”!

9 de fev. de 2012

Viver como as flores (conto)


-"Mestre, como faço para não me aborrecer?
Algumas pessoas falam demais, outras são ignorantes.
Algumas são indiferentes.
Sinto ódio das que são mentirosas.
Sofro com as que caluniam".

- "Pois viva como as flores!", advertiu o mestre.

- "Como é viver como as flores?" Perguntou o discípulo.

- "Repare nestas flores", continuou o mestre, apontando lírios que cresciam no jardim.
"Elas nascem no esterco, entretanto são puras e perfumadas.
Extraem do adubo malcheiroso tudo que lhes é útil e saudável,mas não permitem que o azedume da terra manche o frescor de suas pétalas.
É justo angustiar-se com as próprias culpas, mas não é sábio permitir que os vícios dos outros o importunem.
Os defeitos deles são deles e não seus.
Se não são seus, não há razão para aborrecimento.
Exercite, pois, a virtude de rejeitar todo mal que vem de fora.
Isso é viver como as flores."

4 de fev. de 2012

Mais Devagar (Sabedoria Marcial)


Um jovem atravessou o Japão em busca da escola de um famoso praticante de artes marciais. Chegando na escola do grande mestre, foi recebido em audiência pelo Sensei.

- O que você quer de mim? Perguntou-lhe o mestre.
- Quero ser seu aluno e tornar-me o melhor karateca do país. Quanto tempo preciso estudar?
- Dez anos, pelo menos.
- Dez anos é muito tempo respondeu o rapaz. E se eu praticasse com o dobro da intensidade dos outros alunos?
- Vinte anos.
- Vinte anos! E se eu praticar noite e dia, dedicando todo o meu esforço ?
- Trinta anos.
- Mas, eu lhe digo que vou dedicar-me em dobro, e o senhor me responde que a duração será maior?
- A resposta é simples. Quando um olho está fixo aonde se quer chegar, só resta um para se encontrar o caminho.



Retirado do blog Esteja aqui e Agora...
http://pensandozen.blogspot.com/2008/03/mais-devagar.html

6 de jan. de 2012

General e o Monge (Conto Zen)


Durante as guerras civis no Japão feudal, um exército invasor poderia facilmente dizimar uma cidade e tomar controle. Numa vila, todos fugiram apavorados ao correr a notícia de que um general famoso por sua fúria e crueldade estava se aproximando - todos exceto um mestre zen, que vivia afastado.

Quando chegou à vila, seus batedores disseram que ninguém mais estava lá, além do monge. O general foi então ao templo, curioso em saber quem era tal homem. Quando chegou, o monge não o recebeu com a normal submissão e terror com que ele estava acostumado a ser tratado por todos; isso levou o general à fúria.

"Seu tolo!!" ele gritou enquanto desembainhava a espada, "não percebe que você está diante de um homem que pode trucidá-lo num piscar de olhos?!?"

Mas o mestre permaneceu completamente tranquilo.

"E você é capaz de perceber," o mestre replicou calmamente, "que está diante de um homem que pode ser trucidado num piscar de olhos?"

Ao sofrer o impacto do significado destas palavras, a mente do general tornou-se esclarecida. Ele ajoelhou-se em frente ao mestre, depositou sua espada no chão e lhe fez profunda reverência.

13 de dez. de 2011

Seguindo a corrente (conto oriental)

Um velho homem bêbado acidentalmente caiu nas terríveis corredeiras de um rio que levavam para uma alta e perigosa cascata.
Ninguém jamais tinha sobrevivido àquele rio. Algumas pessoas que viram o acidente temeram pela sua vida, tentando desesperadamente chamar a atenção do homem que, bêbado, estava quase desmaiado.
Mas, miraculosamente, ele conseguiu sair salvo quando a própria correnteza o despejou na margem em uma curva que fazia o rio.
Ao testemunhar o evento, Kung-tzu (Confúcio) comentou para todas as pessoas que diziam não entender como o homem tinha conseguido sair de tão grande dificuldade sem luta:
"Ele se acomodou à água, não tentou lutar com ela. Sem pensar, sem racionalizar, ele permitiu que a água o envolvesse. Mergulhando na correnteza, conseguiu sair da correnteza. Assim foi como conseguiu sobreviver."

1 de dez. de 2011

"Verdadeiro Sutra" (Hanyatara Sonja)

Certa ocasião o rei de um estado do leste da Índia convidou Hanyatara Sonja para um banquete. A refeição seria uma doação. Geralmente o monge convidado retribuía entoando um Sutra ou explicando os ensinamentos de Buda. Entretanto, Hanyatara mantinha-se silencioso depois de haver comido. O rei esperou o mais que pode até que impaciente indagou: - Por que o Reverendo Monge não nos recita um Sutra?
O Venerável respondeu:
O ar que inspiro e o ar que expiro, os gestos de minhas mãos, meu caminhar, meu comportamento, a maneira como vivo minha vida, tudo que eu faço e todo o meu corpo são a recitação do verdadeiro Sutra, a manifestação da verdade cósmica infinita.
Hayatara Sonja notara que as pessoas comuns geralmente não são capazes de ouvir, de ler os cem bilhões de sutras que são constamentemente pregados pelo Sutra do "Assim como é"(Nyôzekyô).

16 de nov. de 2011

Lótus, a postura da flor

A imagem da flor de lótus simboliza elevação e expansão espiritual. É difícil encontrar um país da Ásia onde o lótus não seja considerado sagrado.

Venerada do Egito à China como símbolo da pureza espiritual, a flor de lótus tem sido representada, desde tempos imemoráveis, ao lado de deuses, budas e mestres iluminados.

Para os chineses, a flor representa o passado, o presente e o futuro porque contém, ao mesmo tempo, o botão, a flor e o fruto. No Oriente, o lótus simboliza ainda os níveis de consciência que os homens podem alcançar e o florescimento do potencial humano. Os budas em meditação geralmente aparecem sentados sobre flores de lótus e a expansão da visão espiritual que alcançam é simbolizada pela flor completamente aberta. Um dos principais mantras sagrados do budismo tibetano, “Om Mani Padme Hum”, significa literalmente “Da lama nasce a flor de lótus”.

As escrituras indianas que relatam a criação do Universo descrevem o centro do lótus como o berço do mundo. Elas contam que, do umbigo de Vishnu, nasceu uma esplendorosa flor de lótus e, dela, teria brotado Brahma, o criador do Cosmo. Nas gravuras indianas, os deuses costumam aparecer em pé ou sentados sobre a flor, um indicativo de sua divindade.

Segundo o pesquisador francês Jean Chevalier, autor do livro Dicionário de Símbolos (ed. José Olympio), a flor de lótus simboliza também “a taça da vida, o coração e o amor. Pode ser contemplada como uma mandala e considerada como um centro místico”.

ZAZEN:
Geralmente, no lugar onde for meditar, coloca-se uma almofada redonda e espessa. Você pode sentar na postura de lótus ou de meio-lótus. Na postura do lótus, coloque o pé direito sobre a coxa esquerda e o pé esquerdo sobre a coxa direita. Em meio-lótus, apenas coloque pé esquerdo sobre a coxa direita. A roupa deve ser confortável.

Depois, coloque a mão direita sobre o pé esquerdo e a mão esquerda sobre a palma da mão direita, com as pontas dos polegares tocando-se levemente. Sente-se ereto, sem se inclinar para a nem para a esquerda ou para a direita, nem para frente ou para trás. Suas orelhas devem estar alinhadas com os ombros e o nariz deve estar alinhado com o umbigo. A língua deve ficar encostada no céu da boca, os lábios e os dentes dever estar fechados firmemente. Com os olhos sempre abertos, respire calmamente pelas narinas.



Retirado do blog: Esteja Aqui e Agora... (pensandozen.blogspot.com)

24 de mar. de 2011

Shi-yan Fala Com Seu Mestre (conto Zen)

Shi-yan, quando desejava falar com seu mestre, sempre dizia para si mesmo:
"Mestre!"
E respondia para si mesmo: "Sim?"
Então ele mesmo continuava: "Fique Atento!"
E ele respondia: "Sim, mestre!"
"E além disso," ele completava, "não se deixe iludir pelos outros!"
"Sim, sim, meu Mestre!" ele afirmava para si.

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