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20 de abr. de 2015

Destruir o jogo do ego



"O primeiro ponto em destruir o jogo do ego é a rigorosa disciplina de sentar-se na prática da meditação. Nenhuma especulação intelectual, sem filosofar. Basta sentar-se e fazê-la."

Chogyam Trungpa



*Frase retirada do Facebook de Budismo Engajado

12 de mar. de 2015

Para começar a meditar

Apenas Sentar

Por Lama Padma Samten


Uma prática simples, fácil e que pode ajudá-lo a encontrar uma pausa, um silêncio dentro de si. Publicado em 01/01/2014 na Revista Vida Simples Edição 140

É uma prática muito simples, basta sentar em silêncio e se posicionar como quiser. É comum que o corpo, ao ficar parado, sinta-se desconfortável e tenha que trocar de posição.

A mente acorda quando sentamos com a coluna bem ereta. Ainda assim, é provável que haja letargia e desinteresse alternado por energia e pensamentos intensos. A própria motivação da prática pode alternar entre interesse e desconexão.

Fundador do zen, Eihei Dogen, mestre budista japonês do século 13, é quem deu essa instrução de meditação de simplicidade extrema: “apenas sentar”. O corpo flutua, a mente flutua, a energia flutua, a motivação também flutua. Haverá algum momento em que, ao persistir no treinamento, surgirá a estabilidade?

“Apenas sentar, essa é a prática fácil de um Buda, pratique o pensar além de pensar e não pensar” – segue a instrução do mestre Dogen reunida no texto sagrado Fukanzazengi, o guia de meditação dos Budas. Não parece fácil. Então qual é, afinal, o verdadeiro segredo dessas palavras?

Corpo ereto, sereno. Atenção na respiração. O ar entra, o ar sai… A consciência focada nesse movimento infindável e monótono. O ar que entra e sai é o movimento incessante do Universo, sem origem e sem fim. O ponto central da prática é que há algo estável, imóvel, vivo, mesmo dentro desse movimento infindável do mundo. Veja! Sentados, exercitamos a familiaridade com a estabilidade que não se perturba com o que flui dentro ou fora. Não é preciso parar o movimento, a natural presença serena não é perturbada. É uma presença translúcida, não perturbável.

“Minha mente e energia flutuam constantemente durante a prática, o que fazer?”, perguntou ao mestre o aluno experiente. “Não se preocupe, é assim comigo também”, respondeu seu mestre Tokuda San. A estabilidade não é afetada pela flutuação. Os mestres não enrijecem ou se afastam, mas flutuam em uma dança lúcida e serena em meio ao mundo.

Apenas sentar, ereto. Veja: o mundo flutua, você está sereno. Assim é a prática. Agora abra os olhos e caminhe suavemente dentro de um shopping, lúcido, com um leve sorriso. Em casa, lave a louça da pia, ponha tudo em ordem, com um sorriso. Com a mente focada, estude o que precisa estudar, com um sorriso.

Os seres ao redor iluminarão seu rosto e sua vida com compaixão e amor pelo que de profundo você encontrar neles. Tudo começa com uma prática muito simples: basta sentar ereto em silêncio. Pronto.


*Padma Samten é lama budista. Fundou e dirige o CEBB – Centro de Estudos Budistas Bodisatva. 

9 de jan. de 2015

Sentar em meditação - Mestre Thich Nhat Hanh

Sentar em meditação é uma forma que temos de voltar para casa e cuidar de nós mesmo com total atenção. Toda vez que nos sentamos, seja na sala de estar, ao pé de uma arvore ou numa almofada, podemos irradiar a tranquilidade de um Buda sentado num altar. 

Direcionamos toda nossa atenção ao que está dentro de nós e à nossa volta.

Deixamos nossa mente se tornar espaçosa e nosso coração tenro e amável. Em apenas alguns minutos sentados nessa posição, somos capazes de nos restaurar completamente. Quando nos sentamos com toda tranquilidade e paz, respirando e sorrindo com atenção, nós nos tornamos soberanos de nós mesmo.


Sentar em meditação pode nos curar.


Podemos simplesmente estar em contato com tudo o que existe dentro de nós, seja dor, raiva, irritação, alegria, amor ou paz. Ficamos com o que lá estiver sem sermos arrebatados. Deixamos os sentimentos vir, permanecer e depois o deixamos ir.
Não temos necessidade de nos esquivar, oprimir ou fazer de conta que nossos pensamentos não existem. Ao invés disso, podemos observar os pensamentos e as imagens em nossa mente com um olhar de aceitação e amor. Apesar das intempéries que surgem em nós, permanecemos quietos e calmos.

Livro: Felicidade - Praticas essenciais para uma consciência plena , pag.20
Autor: Thich Nhat Hanh

(Postagem retirada do Facebook de Zen no Sekai)

31 de ago. de 2013

'Nossa amiga: Quando respiramos, é muito interessante, sempre respiramos no presente, sempre respiramos no aqui e no agora"

O texto abaixo foi publicado no Blog Folhas no Caminho
Agradeço ao Professor Ricardo Sasaki pelas publicações.

Nossa Amiga
(Um ensinamento do prof. de dharma Godwin Samararatne, traduzido por Rosana B.)

"Nossa amiga: Quando respiramos, é muito interessante, sempre respiramos no presente, sempre respiramos no aqui e no agora. Às vezes eu gosto de me referir a nossa respiração como nossa amiga. Se nos ligarmos a nossa respiração como a uma amiga, então sempre que pensamos em nossa amiga, ela vai nos ajudar a experimentar o momento presente. Sempre que estivermos perdidos em pensamentos sobre o passado e o futuro, e não houver confusão nem desordem em nossa mente, temos apenas de pensar em nossa amiga e imediatamente podemos experimentar o momento presente.

Outro aspecto importante é que, como todos sabemos, às vezes somos afetados por nossos pensamentos. Na maior parte do tempo os pensamentos nos controlam. Aqui, novamente, nossa amiga pode nos ajudar a aprender a deixar os pensamentos passarem, talvez até mesmo pela primeira vez; aprender a controlar os pensamentos, ao invés de permitir que eles nos controlem, por estarmos com nossa amiga e vivenciar o momento presente, deixando de lado os pensamentos sobre o passado e também aqueles sobre o futuro.

Nossos pensamentos estão relacionados às nossas emoções. Há uma ligação muito forte entre nossos pensamentos e nossas emoções. Então, às vezes, pensamentos podem criar emoções, e aí o que acontece é que, quando temos essas emoções, podemos torná-las maiores do que realmente são. Aqui, novamente, se pudermos nos lembrar de nossa amiga, ela logo vai nos ajudar a nos recuperarmos de nossas emoções. Porque se podemos passar alguns minutos com a respiração em tal situação, ela vai nos ajudar a encontrar algum espaço em nossa mente e, em seguida, aquele espaço pode nos ajudar a nos recuperarmos de quaisquer emoções que estivermos experimentando. Você pode experimentar isso. Você pode tentar por si mesmo.

Outra coisa útil que nossa amiga pode nos mostrar é o nosso estado de espírito. Todos sabemos o que acontece com o nossa amiga quando somos afetados por uma forte emoção, como raiva, medo, excitação, tensão e insegurança. O que acontece com a nossa respiração? Ela se move com rapidez. Isso pode ser um sinal muito útil, um sinal muito confiável para nos mostrar o que está acontecendo em nossa mente. Se tivermos problemas com emoções como a raiva, a nossa amiga imediatamente irá nos mostrar pela forma como se move, que estamos ficando com raiva. Isso pode ser um sinal muito útil, como eu disse, e então se você pode ouvir o sinal, o sinal de atenção, você será capaz de se recuperar daquela a raiva ou de qualquer emoção que seja, imediatamente".

5 de jun. de 2012

Alinhando a mente



Tal como o arqueiro alinha a sua seta e aperfeiçoa a sua mira, o praticante de meditação alinha a sua mente enquanto foca a sua atenção num dado objecto. Aprender a abandonar o que estamos a fazer, ainda que momentaneamente, e genuinamente prestar atenção ao momento presente, sem apego ou preferência, ajuda-nos a tornar a realidade mais nítida, tal como um globo de neve se torna límpido quando o paramos de abandonar e os flocos de neve assentam.

Lama Surya Das



Postagem de Metafisica O.Brasil copiada do facebook

9 de fev. de 2012

Viver como as flores (conto)


-"Mestre, como faço para não me aborrecer?
Algumas pessoas falam demais, outras são ignorantes.
Algumas são indiferentes.
Sinto ódio das que são mentirosas.
Sofro com as que caluniam".

- "Pois viva como as flores!", advertiu o mestre.

- "Como é viver como as flores?" Perguntou o discípulo.

- "Repare nestas flores", continuou o mestre, apontando lírios que cresciam no jardim.
"Elas nascem no esterco, entretanto são puras e perfumadas.
Extraem do adubo malcheiroso tudo que lhes é útil e saudável,mas não permitem que o azedume da terra manche o frescor de suas pétalas.
É justo angustiar-se com as próprias culpas, mas não é sábio permitir que os vícios dos outros o importunem.
Os defeitos deles são deles e não seus.
Se não são seus, não há razão para aborrecimento.
Exercite, pois, a virtude de rejeitar todo mal que vem de fora.
Isso é viver como as flores."

7 de fev. de 2012

Meditação: Os Cinco Princípios da Concentração


Durante a meditação, se queremos nos acalmar e meditar, precisamos trabalhar os nossos pensamentos e sentimentos. Fica mais fácil quando damos à nossa mente discurviva algo para fazer. Assim, a pequena mente quando recebe a tarefa concreta de focalizar um objeto de concentração. Fazemos isso para que a pessoa sagrada, que rege a consciência inata que habita dentro de cada um de nós, possa repousar na visão ampla ou mente natural.
A habilidade para focalizar e trazer de volta, deliberada e repetidamente, a atenção errante, está nas raízes da disciplina mental, da força de vontade e mesmo do desenvolvilmento do caráter. Qualquer treinamento de meditação pode ser compreendido de acordo com os seguintes princípios:

1. Domesticação
Por um momento, pense em sua mente discursiva e inquieta como um lindo cavalo selvagem. Primeiro ele precisa ser domesticado o suficiente para deixar você entrar no curral. Sua mente precisa estar disposta a pelo menos entrar na arena da meditação.

2.Treino
Nós ensinamos o cavalo a perder medo o medo daquilo que não conhece. Ele aprenderá a parar de corcovear e escoicear, em troca de segurança de um abrigo seguro e aquecido. Por fim, ele poderá galopar livremente a toda velocidade, e seus movimentos terão propósito e significado. No momento ele está aprendendo a andar com rédea firme. Na meditação treinamos a mente inquieta pra ficar lenta e relaxar.

3.Teste
Precisamos trabalhar com o cavalo, levá-lo para exercitar-se. O que acontece quando é exposto a influências externas, distrações , barulhos, tentações? Será que consequirá manter sua estabilidade e a atenção disciplinada? Ao desenvolver nossa prática da percepção, nós fazemos testes para ver se conseguimos manter a atenção plena e a concentração quando saímos do quarto de meditação para o mudo exterior.

4. Transformação
O cavalo foi transformado. Agora ele carrega seu dono por longas distâncias, em qualquer velocidade. Na meditação, não somos mais controlados por nossos pensamentos e, em vez disso, podemos usar as habilidades singulares da mente para propósitos mais elevados. Agora temos a nosso serviço o poder inesgotável da mente.

5. Transcendência
Na transcendência, cavalo e cavaleiro se tornam um só. Não há mais um “outro” separado que precisa ser domado, treinado e testado. Nós conseguimos unidade, completude e harmonia com o universo. A prática da concentração nos ajuda a retornar para a totalidade unificada que é nossa fonte. Podemos fluir com as coisas como são, sem resistências nem apegos, sabendo que somos parte do fluxo infinito… E que onde quer estejamos, esta fonte vai conosco.



Retirado do Livro: O Despertar do Buda Interior, autoria: Lama Surya Das, Editora Rocco.

31 de jan. de 2012

Mente: Uma questão de treino


Os mestres da meditação budista sabem o quão flexível e maleável é a mente. Se a treinamos, tudo é possível. Na verdade, já somos perfeitamente treinados pelo samsara e para ele: treinados para ficar ciumentos, treinados para o apego, treinados para ser ansiosos e tristes e desesperados e ávidos, treinados para reagir com raiva ao que quer que nos provoque.

Somos treinados, de fato, até o ponto dessas emoções negativas surgirem de modo espontâneo, sem que tentemos produzi-las. Assim, tudo é uma questão de treino e do poder do hábito. Dedique a mente à confusão e logo veremos -- se formos honestos -- que ela se tornará uma mestra sinistra na confusão, competente no seu vício, sutil e perversamente dócil em sua escravidão.

Dedique a mente na meditação à tarefa de libertá-la da ilusão e veremos que com tempo, paciência, disciplina e o treinamento adequado, ela começará a desembaraçar-se e a conhecer sua bem-aventurança e claridade essenciais.

Sogyal Rinpoche

"O Livro Tibetano do Viver e do Morrer"

14 de jan. de 2012

O ZEN


A língua é o órgão menos adequado para expressar o significado do Zen. A barriga talvez seja mais apropriada. Alguns povos orientais, quando visitados pela primeira vez por um grupo de cientistas dos E.U.A. e sabendo que os norte-americanos pensavam com a cabeça, puseram-se logo a achar que eles eram loucos. E se explicaram: "É que nós, orientais, pensamos com o abdômen". As pessoas na China e no Japão, quando notam que alguém está com algum problema difícil, costumam dizer: "Pergunte à sua barriga, ela sabe a resposta".

Zen não escapa desta regra. Tentar compreender o Zen-Budismo intelectualmente é perder para sempre o seu significado. O intelecto serve a vários propósitos na vida diária, não há dúvida de que se trata de uma coisa utilíssima. Mas não resolve o problema crucial com que todos nós, cedo ou tarde, esbarramos em nossas vidas: o problema da vida e da morte, que diz respeito ao verdadeiro sentido da vida. Quem sou eu? Onde estão meu principio e fim no tempo e no espaço? Onde estava eu antes que meus pais nascerem? Para onde que vou depois que morrer?

Quando enfrentamos esse problema, o intelecto precisa confessar sua incapacidade de lidar com ele. O beco sem saída a que somos conduzidos não pode ser ultrapassado por uma manobra intelectual ou por um artifício da lógica. É necessária a totalidade do nosso ser. E é neste momento que o Zen surge como uma possibilidade, um caminho em direção á resposta do problema.

Portanto, tentar conhecer o Buddhismo Zen com o objetivo de ampliar nossa cultura geral é uma tolice semelhante a pedir a alguém que beba água em nosso lugar e esperar que a sede passe: o que nos descrevam o gosto de uma fruta ou a temperatura da água. Tudo isso depende da experiência pessoal, direta.

O Zen-Buddhismo é místico? Essa pergunta é muito frequente, quando as pessoas ouvem falar do assunto pela primeira vez. O Misticismo é um ponto crucial, que faz com que os ocidentais falhem todas as vezes que tentam compreender a mente oriental. Por que o misticismo desafia a analise lógica, e esta é a característica fundamental do pensamento ocidental. O conceito ocidental de místico está sempre ligado ao fantástico, ao irracional, ao oculto. No oriente, misticismo não se refere a nada que não possa ser trazido para dentro da compreensão intelectual. Portanto, o Zen-Buddhismo é místico na medida em que o Sol brilha todas as manhãs, a lua surge todas as noites, e as flores deixam seu perfume na manga da nossa camisa, quando as tocamos de perto. Se isso é misticismo, então o Zen-Buddhismo é profundamente místico.

O Zen-Buddhismo é um sistema filosófico, intelectual? Não. O Zen-Buddhismo não é fundado na lógica ou na análise, é o contrário da lógica e do modo dualístico(bom, mau - bonito, feio - vida, morte...) de pensar. Não existem no Zen, livros sagrados, dogmas ou quaisquer fórmulas através das quais se possa chegar ao seu significado. E o que o Zen-Buddhismo ensina? Nada. O Zen aponta o caminho, o resto é por nossa conta.

Zen é caótico, uma virtual negação de tudo, pelo menos se o virmos com a ótica racionalista da mente ocidental. Mas, por trás desta sucessão de negativas, o Zen-Buddhismo sustenta algo absolutamente positivo e eternamente afirmativo. Zen-Buddhismo é um estilo de vida e se propõe, por métodos práticos e diretos, a disciplinar a mente por si mesma, fazendo-a mergulhar em sua própria natureza. É um exercício que consiste em abrir o olho mental dos seus praticantes para que eles despertem do sono profundo da ignorância e vejam de perto a própria razão da existência. Só assim poderão contemplar o grande mistério que é representado diariamente.

O que é Mente? É a verdadeira natureza de todos os seres, aquilo que existia antes que nossos pais tivessem nascido e antes do nosso próprio nascimento e que existe agora, imutável e eterna. Quando nascemos ela não é criada, e quando morremos ela não é destruída. Não tem nenhum tipo de distinção, nenhuma conotação de bom ou ruim. Não pode ser comparada a nada, e a chamamos Natureza de Buda. Muitos pensamentos surgem dela, como as ondas do oceano e as imagens num espelho. Quem deseja conhecer a própria mente deve, antes de tudo, olhar a própria fonte da qual surgem os pensamentos. O que é chamado Zazen não é mais do que olhar a natureza da mente. Aquele que conhece a própria mente é um Buda e livra-se para sempre dos sofrimentos que surgem da ignorância.

Extraido de:
Este ensaio sobre o Zen-Buddhismo, com final do jornalista Marco Antônio Lacerda é baseado em 3 Obras sobre o assunto:
"Zen Buddhism and Psychoanalysis,
Essays in Zen Buddhism e Misticism;
Christian and Buddhist"
todos de autoria de D.T. Suzuki

10 de jan. de 2012

Mergulho em si mesmo (Mahatma Gandhi)


Temos medo de estarmos conosco, mergulharmos em nosso interior. O silêncio e sua prática nos leva a esta possibilidade de encontro profundo e revitalizador. Com o silêncio, encontramos a paz e o amor incondicional

Vem com toda a força transformadora. "O amor é a força mais sutil do mundo.O mundo está farto de ódio". É é este ódio irracional e distante da força criadora que destrói,corrompe e ensurdece a humanidade.

Pare! Recomece! Reprograme-se... O silêncio pode ser o ponto chave desta nova caminhada. Pratique-o diariamente e transforme um pouco nosso mundo. Ouça-se.

"Temos de nos tornar a mudança que queremos ver no mundo. Você tem que ser o espelho da mudança que está propondo. Se eu quero mudar o mundo, tenho que começar por mim."

Pratique diariamente o silêncio da paz. Respire profundamente algumas vezes. Inspire e sopre lentamente até ir relaxando e mergulhando dentro de si mesmo. Feche os olhos e silencie seus medos, preocupações e ansiedades diárias, por alguns momentos. Dê a chance à sua paz e a paz do mundo.

"Faça a sua parte, se doe sem medo. O que importa mesmo é o que você é...

Mesmo que outras pessoas não se importem. Atitudes simples podem melhorar sua vida."

Você nunca sabe que resultados virão da sua ação. Mas se você não fizer nada,não existirão resultados. Espalhe esta ideia.

Transforme o mundo, a partir de você.

"Seja a mudança que você deseja para o mundo".

4 de jan. de 2012

Fukanzazengi - "Regras Gerais para a Prática da Meditação Zazen" - Eihei Dogen

Fukanzazengi
"Regras Gerais para a Prática da Meditação Zazen"
Eihei Dogen

Este texto foi escrito pelo mestre Eihei Dogen (séc.XIII), fundador de escola Soto Zen. Me foi enviado pelo Lama Padma Samten, coordenador do Centro de Estudos Bodisatva, do Rio Grande do Sul.
É um dos textos feitos pelo grande mestre Zen, e se direciona para a técnica do Zazen (Meditar Sentado), elemento fundamental dentro da prática Zen Buddhista. Os comentários entre chaves e em negrito são de minha autoria.
Tam Huyen Van
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Agora que localizamos a fonte do caminho, descobrimos que é universal e absoluta. E desnecessário distinguir entre "prática" e "iluminação". O supremo ensinamento é livre, assim, por que estudar os meios de chegar a ele? O caminho é muito diferente do engano. Por que, então, estar preocupado em eliminar este último?
O caminho está completamente presente onde você está, assim, qual a utilidade da prática ou iluminação? Entretanto, se de início houver a menor distância entre você e o caminho, o resultado será uma separação maior do que a existente entre o céu e a terra. Se o menor pensamento dualístico surgir, você perderá sua mente-Buda. Por exemplo, alguns são orgulhosos de sua compreensão, e pensam que estão ricamente dotados da sabedoria de Buda. Imaginam que atingiram o caminho, iluminaram suas mentes e ganharam o poder de tocar os céus. Imaginam que movimentam-se no reino da iluminação. Mas, de fato, quase que afastaram-se por inteiro do caminho absoluto, que esta além da própria iluminação.
É importante lembrar que mesmo o Buda Shakyamuni teve que praticar zazen durante seis anos. Também se diz que Bodhidarma praticou zazen durante nove anos no templo de Shao-Lin, para habilitar-se a transmitir a mente-Buda. Sendo estes sábios antigos tão diligentes, por que razão os buscadores de hoje chegariam ao mesmo sem a prática de zazen? Vocês deveriam interromper a busca de palavra e letras aprender a introspectar-se e refletir por si mesmos. Quando vocês praticarem isto seu corpo e mente irão naturalmente perder nitidez e sua natureza original de Buda virá a manifestar-se. Se vocês desejam atingir a sabedoria de Buda, deveriam começar imediatamente a praticar.
Na prática de zazen e desejável uma sala quieta. Vocês devem ser capazes de moderação na comida e bebida, afastando-se de todas as relações ilusórias. Despreocupando-se das coisas em redor, evitem pensar baseados em bom-e-mau ou certo-e-errado. Assim, tendo interrompido as várias funções de suas mentes, abandonem mesmo a idéia de tornarem-se Budas. Isto vale não apenas durante o zazen mas para todas as suas ações diárias.
Usualmente um tapete grosso e quadrado é colocado no chão onde você senta numa almofada redonda sobre ele. Você pode sentar em postura de lótus ou meio-lótus.Em lótus, inicialmente coloque o pé direito sobre a perna esquerda e após, o pé esquerdo sobre a perna direita. Em meio-lótus, ponha o pé esquerdo sobre a perna direita. As roupas devem ser amplas mas aprumadas. A seguir coloque a mão direita sobre o pé esquerdo e a mão esquerda espalmada sobre a palma da mão direita, com as ponta dos polegares tocando-se levemente. Sente ereto, sem inclinar-se quer para a direita ou para a esquerda, para frente ou para trás. As orelhas devem estar no mesmo plano que os ombros, e o nariz na mesma linha que o umbigo. A língua deve ser colocada contra o céu da boca e os lábios e dentes firmemente cerrados. Com os olhos permanentemente abertos, respire suavemente pelas narinas. Finalmente, tendo regulado o corpo e mente desta maneira, inspire profundamente, balance o corpo para a esquerda e para a direita, e então sente-se firmemente como uma rocha. Pense sem pensar. Como é isto feito? Pensando além de pensar e não-pensar. Isto é a verdadeira base do zazen. Zazen não é "uma meditação passo a passo". Em lugar disto, é simplesmente a prática fácil e agradável de um Buda, a vivência da sabedoria de um Buda. A verdade aparece, não resta qualquer ilusão. Se compreender isto estará completamente livre, como um dragão na água ou um tigre que repousa na montanha. A lei suprema então soergueu de si mesma, e você está livre dos aborrecimentos e confusão. Ao concluir zazen, mova seu corpo lentamente e calmamente ponha-se de pé. Não se mova violentamente.
Por meio do zazen é possível transcender a diferença entre "mundano" e "sagrado" e chegar à habilidade de morrer durante o zazen ou enquanto em pé. Para nossa mentes discriminativas é impossível entender como os Budas e Patriarcas, por meio de um dedo, vara, agulha ou martelo de madeira expressaram a essência do Zen seus discípulos, e como eles transmitiram a iluminação com um "hossu", punho, bastão ou grito. Nem pode isto ser entendido por meio de poderes supra-naturais a de uma visão dualística de prática e iluminação. Zazen é uma prática que está além dos mundos subjetivo e objetivo, além do pensamento discriminativo. Portanto nenhuma distância pode ser feita entre os inteligentes e os estúpidos. Praticar caminho com o coração uno é, em si mesmo, iluminação. Nenhuma separação existe entre prática e iluminação ou zazen e vida diária.
Os Budas e Patriarcas, tanto aqui como na Índia e na China, todos preservaram mente-Buda e enfatizaram o treinamento Zen. Vocês deveriam portanto, devotar-se exclusivamente e absorverem-se totalmente na prática de zazen. Ainda que se diga que muitos são os meios de entender o Budismo, vocês deveriam praticar apenas zazen. Não há qualquer razão para abandonarem o lugar onde sentam e fazer viagens fúteis a outros países. Se o primeiro passo é equivocado, imediatamente tropeçam.
Vocês tiveram a boa fortuna de nascer com um precioso corpo humano, não desperdicem seu tempo. Agora que sabem o que é o mais importante no Budismo, como podem satisfazer-se com o mundo transitório? Seus corpos são como gotas de orvalho sobre a grama, e suas vidas são como o brilho de uma faísca atmosférica, desaparecendo em um momento.
Quem pratica o Zen não se surpreende com um dragão real, nem usam tempo apalpando uma única parte de um elefante [Aqui o mestre fala de um Koan famoso, que versa sobre três cegos apalpando um elefante]. Ande no caminho que aponta diretamente para a natureza original de Buda. Respeite aqueles que atingiram a compreensão e nada mais têm a fazer. Torne-se um com a sabedoria dos Budas e tenha sucesso em atingir a iluminação dos Patriarcas. Se praticar zazen algum tempo, chegará a isto. A casa do tesouro então se abrirá por si, e você será capaz de a usufruir segundo sua disposição.

21 de dez. de 2011

Zazen


"Quando fazemos zazen, temos uma preciosa oportunidade para ficar de frente para nós mesmos, para enxergar a natureza do falso pensamento que cria a ilusão de um eu separado." (Charlotte Joko Beck)

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