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17 de jul. de 2014

A Maravilhosa Canção do Silêncio (Lama Surya Das)


O verdadeiro silêncio interior nos coloca em contato com as dimensões mais profundas do ser e do conhecer - a percepção agnóstica e a sabedoria inata. Como é impossível exprimir o inexprimível, o som espiritual, ou a canção do silêncio, situa-se além das palavras e dos conceitos. Simples palavras são fracas traduções daquilo que realmente gostaríamos de dizer. O silêncio interior e o vazio podem oferecer um acesso mais fácil ao mistério universal e ao ser primordial, para praticamente qualquer pessoa, sem ter que se apoiar em formas externas estrangeiras ou em conceitos misteriosos.
O silêncio é o limiar de nosso sanctum interno, a caverna sublime do coração. O silêncio é a canção do coração que, como o amor, é uma língua universal, uma melodia natural que está ao alcance de qualquer um, meso daqueles que são desafinados ou que têm dificuldades com religião. Experimente ir para os bosques ou se sentar perto das ondas do mar. Olhe para as estrelas brilhantes à noite; abra o ouvido interior da mente e escute a maravilhosa canção do silêncio. Eis aqui o prazer da doçura contemplativa, Siga esta bem-aventurança.

Trecho do livro O Despertar do Buda Interior, Lama Surya Das, Ed.Rocco.

29 de mai. de 2011

Esforço para desenvolver apenas pensamentos bons e saudáveis e viver uma vida iluminada.


Pense em como gostaria de ser e de viver. Reflita sobre o que significa ser um Bodhisattva, um guerreiro espiritual; reflita no que significa viver uma vida iluminada.
Os Bodhisattvas praticam as Seis Paramitas ou Perfeições – seis virtudes transcendentais que eu gosto de chamar de os Seis Princípios para uma vida Iluminada quando tentamos incorporar estas Seis Perfeições:

Generosidade - dar, ceder, amor incondicional e ilimitado; mãos, mente e corações abertos.

Virtude - ética, honestidade, moralidade integridade,ajudar os outros.

Paciência - tolerância, clemência, resignação, perdão.

Esforço - Energia, diligência, coragem, entusiasmo, persistência.

Meditação - Concentração, consciência, autoquestionamento, reflexão, atenção plena.

Sabedoria - discernimento, sagacidade, sanidade mental, equilíbrio, compreensão.

Um amigo tem um problema. Você mostra generosidade de espírito, ouvindo e dando apoio? Quem está fazendo um favor a quem? Como um exemplo de nossa integração, o Dalai-Lama diz que quando alguém presenteia com uma oportunidade para exercer alguma das Seis Perfeições, na verdade é você que está recebendo ajuda no caminho para a iluminação. Lembre-se disso na próxima vez que alguém testar sua paciência até o limite. Talvez até um adversário possa se tornar seu melhor professor.



Retirado do livro: O Despertar do Buda Interior, autoria: Lama Surya Das.

17 de abr. de 2011

Virtude


"A palavra sâncrita para virtude ou moralidade é sila (pronuncia-se sheela). Esta linda palavra antiga vem nos lembrar que devemos praticar a conduta ética, ao lado de um a disciplina equilibrada e saudável. Antes de falar ou agir, pare por um instante e pense na sila: você está prestes a prejudicar alguém ou na verdade vai ajudar? Vai ser habilidoso ou inábil? Altruísta ou Egoísta? Suas palavras refletem suas intenções verdadeiras e um sincero comprimisso com a bondade e a bodhicitta?
Sila (virtude ou ética) é tradicionalmente comparada a uma árvore frondosa que oferece sombra fresca; sob os seus ramos, o peregrino que caminha sob o sol escaldante do deserto das emoções conflitantes vai encontrar alívio e abrigo contra as tempestades ferozes do comportamento compulsivo ou impulsivo. Durante sua vida, confie na virtude, na conduta correta e na autodisciplina, para amortecer o atrito dos conflito internos e externos.
Em um nível exterior, sila significa contribuir para um mundo melhor, ao vivermos a vida de frma honesta, curadora, não violenta, não egoista e com consideração. Implicado no desenvolvimento do caráter - o fortalecimento do que quer que esteja truncado ou distorcido em nosso comportamento e em nós mesmos.
Em um nível interior, sila significa sermos genuinamente honestos e verdadeiros para conosco, sem nos iludirmos, sem má vontade, preconceitos ou preferências egoístas.
Em um nível inato ou natural, sila significa compreender que somos todos inerentemente virtuosos e imaculados, que todos possuímos, no âmago de nosso ser mais autêntico, a pureza de coração e a bondade da natureza de Buda.




Livro: O Despertar do Buda Interior (Ed. Rocco), autoria do Lama Surya Das.

23 de set. de 2010

Mente Grande/Mente Pequena


Para nos ajudar a compreender que não somos aquilo que pensamos, os ensinamentos de Buda fazem uma distinção entre o que é chamado de Grande Mente, ou Mente Natural,e a "mente pequena" ou mente comum e iludida. A mente pequena ou iludida é a mente habitual, barulhenta, imprevisível e constantemente fora de controle. É a nossa mente finita, conceitual, racional, discursiva, pensante. A mente iludida tem muitos impulsos e necessidades, ela deseja muitas coisas. Está quase sempre confusa, atravessa flutuações constantes de ânimo e é muito inquieta. Fica com raiva, deprimida ou hiperativa. Alguns textos tradicionais antigos chamam esta mente pequena de "mente de macaco", e a descrevem como um cavalo selvagem e indomável, ou então como um pequeno macaco simpático mas totalmente caótico, pulando de árvore em árvore, procurando satisfação nos lugares errados. O que se quer dizer com Grande Mente é a natureza essêncial da mente. È isso que chamamos de natureza búdica ou mente natural. Essa é a nossa verdadeira natureza - a consciência pura e ilimitada que reside no coração, e que é parte integrante de todos nós. O Buda a descreveu como imóvel, clara, lúcida, vazia, profunda, simples (descomplicada) e em paz. Na verdade, não é aquilo que chamamos habitualmente de nossa mente. Isto é Rigpa, o cerne da iluminação. È a nossa cota de Nirvana aqui na terra.
O Dzogchen ensina que tudo o que precisamos fazer para nos tornar iluminados é reconhecer e repousar nesse estado mental natural. No zen eles chamam isto de mente original. È a percepção crua, nua, e não algo que aprendemos ou fabricamos. Isto é o Buda interior - a presença perfeita na qual podemos confiar. Despertar esta mente natural, esta natureza búdica, é sobre o que a meditação se ocupa.



Retirado do livro: O Despertar do Buda Interior, autor: Lama Surya Das, editora Rocco

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