5 de ago de 2011

Técnicas dos Pontos Vulneráveis (Atemi Waza)


Podemos ver principalmente nos filmes chineses de antigamente que os grandes mestres de artes marciais geralmente conciliavam o conhecimento marcial com habilidades médicas tradicionais (acupuntura, massagens, unguentos e emplastros, talas e ervas), e isso também pode ser visto nas tradições marciais da Índia. Essa conciliação de tarefas era natural, já que nos treinamentos, contusões chega a ser quase inevitáveis de acontecer e portanto aprender a curar estes ferimentos eram um quesito necessário. Os monges shaolin de antigamente também tinham uma máxima que dizia: - Tudo o que você pode ferir também deve saber curar! (Por isso algumas regiões eram proibidas de ser golpeadas já que poderiam levar a morte ou sequelas permanentes), portanto o ensino de técnicas curativas também eram ensinadas.
Dessa conciliação entre arte marcial e medicina que se desenvolveu a arte de golpear pontos vulneráveis do corpo. Há muitas lendas sobre este assunto e tirando de lado crendices existentes, este é um ramo marcial sério cujo conhecimento era passado e ainda é em alguns lugares como na Índia somente para poucas pessoas (técnica Marma Adi).
Certos pontos apesar de ser os mesmos utilizados na Acupuntura e tenham a mesma localização, recebem nomes diferentes nas artes marciais. Podemos dizer que existem pontos que acarretam traumas graves levando até a morte (ex: pomo de adão e região das temporas que são bem conhecidos), outros pontos causam grandes efeitos de dor , deixando por exemplo o membro entorpecido temporariamente (ex: Ponto do nervo Radial na porçaõ braquial, podemos senti-lo quando fazemos o muque, ele está abaixo do musc. Bíceps braquial e também podemos citar o conhecido ponto na lateral da coxa, muito famoso nos campos de futebol. Nota-se que a pessoa que possui um conhecimento anatômico consegue lidar melhor com técnicas em que os golpes são direcionados a locais especificos do corpo, por isso eram técnicas muitos restritas e ensinadas depois de anos de treinamento. Claro que com o advento das competições esportivas marciais tais pontos foram suprimidos do treinamento ou mesmo banidos, já que o risco de lesão é grande. Mas quando estamos falando em situações reais de combate e defesa pessoal estes pontos são chaves para a eficiência e o sucesso de uma técnica, sendo interessantes também por muitas vezes não necessitar de muita força para golpeá-los.
Ao analisar anatomicamente estes pontos vemos que geralmente se relacionam a centros nervosos e vasos sanguíneos. A maioria do pontos estão localizados numa grande ramificação cutânea por isso apresentam uma grande sensibilidade e estão vulneráveis da anatomia humana, pois estão livres da proteção de músculos e ossos, causando muita dor e uma “paralisia temporária” quando golpeados, outros pontos são próximos a grandes artérias (ex: ponto da artéria radial no punho próximo ao polegar – onde vemos a pulsação – também de grande sensibilidade, e outro ponto conhecido é o golpe visando a região do pescoço na na base da orelha, podendo desacordar o inimigo).
Finalizando, o estudo desses pontos vulneráveis aumenta a eficácia de um golpe bem dado, consistindo no verdadeiro Atemi-waza, que é para mim é um dos pilares das técnicas de combate visando a defesa pessoal.

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