21 de ago de 2012

O Medo (Mestre Yoda)


O Medo é o caminho para o lado negro.
 O medo leva a raiva.
A raiva leva ao ódio,
 o ódio leva ao sofrimento."
 Mestre Yoda

20 de ago de 2012

Conto: O Samurai e o Lago

Um samurai depois de ser sido derrotado numa importante prova de habilidades, vagou sem rumo com os pensamentos confusos, enfurecido, sem querer aceitar a derrota. Parou em um lago que encontrou no seu caminho e lançou violentamente uma pedra contra as suas águas, que se agitaram violentamente. O samurai ainda com raiva e ressentido, percebeu algo e refletiu: 
- “Mesmo ofendido e perturbado com a pedra que atirei, em instantes o lago se recompôs, retornando a tranquilidade inicial."

O samurai concluiu que mesmo que lançasse todas as pedras da redondeza, pequenas ou grandes, o lago sempre retornaria à sua natural tranquilidade, como se nunca tivesse sido atingido por nada.

Ao refletir sobre isso o homem evocou "Mizu no kami"(O Espírito das Águas):

- “Espírito das Águas, por que quando meu coração é ferido ficam cicatrizes e este lago, em instantes apaga todos os vestígios da agressão sofrida”?

Respondeu o “Espírito das Águas”:

- “O Lago faz com que a pedra se perca na sua grandeza e profundidade, logo, é como ser atingido por nada. O lago conserva consigo o silêncio, e não as queixas. Eis o segredo de sua serenidade”.

O Samurai curvou respeitosamente em gratidão para o lago e declarou ao “Espírito das águas”:

- “Hoje aprendi um grande ensinamento com as águas silenciosas de um lago”!

18 de ago de 2012

Além da Pequena Mente (Dualista)


“Muitos dos problemas podem ser resolvidos dentro da sua atividade mental. Mas esta questão acerca da verdadeira identidade, do verdadeiro si mesmo, da nossa verdadeira natureza, da questão da vida e da morte, não pode ser dissolvida dentro da atividade mental, não pode ser resolvida na psicologia, não pode ser resolvida na ciência, nem na filosofia porque todas essas respostas, nesses métodos, vem do dualismo. Esta questão de vida e morte está além dessa atividade mental.” ~ Saikawa Roshi

Citação e mais informações sobre Saikawa Roshi no Blog da Monja Isshin

17 de ago de 2012

14 de ago de 2012

Zen


"Se podes treinar com afinco, isso é a Verdadeira Iluminação." (Fukanzazengi)
Mestre Eihei Dōgen (1200 – 1253)

9 de ago de 2012

Ki Soku (Energia-Respiração)


"O ki é a plenitude da vida" - Enanji: Huái nan zi

Sábios do passado ensinavam que o "ki é a fonte da força vital; é o princípio da vida que permeia todas as formas da existência". Soku, também conhecido como iki, é o núcleo da respiração, indispensável a vida. Desde o começo da criação,o ki e o soku têm sido uma coisa só. Dessa harmonia essencial, a natureza irrompeu em abundância; ela é a fonte da energia ilimitada. Essa harmonia essencial é a base do "Caminho do Valor Marcial e a chave do aiki, "unidade ideal". A fonte da respiração do Aiki é realçada quando o ki e o soku são unificados.

Retirado do livro: A Arte do Aikido, Princípios e Técnicas Essenciais. De autoria de Kisshomaru Ueshiba. Editora Pensamento.

3 de ago de 2012

O Budismo e as Artes Marciais


Não passa desapercebido para nenhuma pessoa que tenha algum interesse pela cultura oriental e nem mesmo a um desinteressado turista ocasional, que visita os países orientais, o fato de que o Budismo se tornou a base do desenvolvimento da cultura e da ética sócio-religiosa de praticamente todo o extremo oriente, bem como, especificamente do Japão.
Seria impossível a qualquer pessoa que tome contato com qualquer aspecto da cultura japonesa, deixar de notar a influência do Budismo, nos fatos históricos, na arquitetura tradicional, na literatura, nas artes plásticas, artes marciais e artes sociais (“Ikebana”, cerimônia do chá, etc.), bem como na ética social japonesa. Também o folclore e a música clássica japonesa têm sua marca budista bem viva e até mesmo muitos dos feriados nacionais japoneses são datas marcadas pelo calendário budista.
Podemos observar também essa influência marcante da cultura budista na formação sócio-cultural japonesa, em aspetos como a introdução da escrita ideográfica chinesa (“Kanji”), através dos textos sagrados budistas (“Sutras”) e também no desenvolvimento e codificação dos “alfabetos” fonéticos simplificados (“Kaná”). E ainda, em aspetos éticos, sociais e legislativos, como por exemplo, o fato da primeira constituição japonesa, elaborada sob os auspícios do príncipe Shôtoku (573-621), ter tido influência estrutural do “Código de Manu”, de origem indiana, introduzido no Japão pelos primeiros monges budistas.
Também no Brasil, o papel do Budismo como fator de união sócio-cultural dos imigrantes japoneses é marcante em todos os grandes centros de aglutinação dos japoneses e seus descendentes, influenciando também outros setores da sociedade ocidental. Podemos perceber isso claramente em movimentos conhecidos como “cultura alternativa”, que englobam desde a chamada “medicina alternativa”, artes marciais (muitas, introduzidas no ocidente sob a forma de esportes) bem como de outras artes, com forte influência principalmente do Budismo Zen.
Mais especificamente no campo das Artes Marciais, alguns aspectos precisam ser esclarecidos para que se tenha uma ampla visão desse conjunto.
Muitos ocidentais ao tomarem contato com a cultura oriental através de filmes largamente divulgados pelo cinema e televisão, como os Kung-Fu, Samurais, Ninjas e etc., acabam tendo uma impressão de que Budismo e Artes Marciais são inseparáveis e que todos os monges budistas seriam “experts” nessas artes, o que não passa de pura ilusão cinematográfica. Mas, ao mesmo tempo, o desenvolvimento das artes marciais do extremo oriente acabaram por fixar conceitos budistas que vieram a se tornar inseparáveis da própria conduta de seus praticantes.
Conta-se que o próprio Buda Shakyamuni, em sua juventude, vivendo ainda como príncipe do povo dos Shákyas, ao sopé da cordilheira do Himalaia, foi adestrado nas artes de guerra, como luta corporal, arco-e-flecha, manuseio de bastão, lança e outras armas próprias de sua época. Entretanto, após ter atingido sua iluminação aos 35 anos de idade, pregou sempre um caminho de paz, harmonia e principalmente a não-violência (ahimsa), conceito este que foi brilhantemente retomado por Mahatma Gandhi, no começo do século XX, influenciando grandemente o movimento de Independência da Índia, que até então era uma colônia do império britânico.
Na China, muitos são os que atribuem a Bodhidharma (o introdutor do Zen Budismo, nesse país) a criação do Kung-Fu, mas não existem relatos históricos que sustentem essa tese. Entretanto, há sim, uma estreita relação do desenvolvimento do Kung-Fu como arte marcial e o Templo Shao-Lin, fundado por Bodhidharma, e que mais tarde chegou ao Japão sob a denominação de Shorinji-Kempô.
O Kung-Fu Shao-Lin e o Shorinji-Kempô são artes marciais que utilizam basicamente movimentos que imitam o comportamento dos animais em seus sistemas de combate, mas que antes de mais nada, são sistemas de unificação do corpo e mente, e de manutenção da saúde física, mental e espiritual, tendo como apoio, principalmente a meditação Zazen.
Outra arte marcial largamente difundida na China e praticada em muitos templos budistas é o Tai-Chi-Chuan, que é de origem Taoísta, mas que, assim como este último, foi sincretizado pelo sistema budista, nesse país.
No Japão, o Budismo foi importado da China e da Coréia, sem trazer esses aspectos marciais. Mas, com o desenvolvimento histórico, grande foi o número de guerreiros da classe dos samurais que afluíam aos templos budistas, principalmente das escolas Zen e Jôdo (Terra Pura), buscando apoio espiritual, e chegou até mesmo a existir uma categoria de monges guerreiros (Sôhei) em monastérios como os da Escola Tendai. Assim acabou se dando o nascimento de um conceito japonês de arte marcial que mesmo hoje em dia é indissociável do Budismo e do Shintoismo (religião autóctone, ligada à casa imperial japonesa).
Mas como teria se dado essa ligação?
Em primeiro lugar precisamos lembrar que os guerreiros japoneses estavam antes de tudo ligados ao conceito de “Dai-Nippon” (O Grande País do Sol Nascente) e tinham como figura central o próprio imperador que era considerado descendente da Deusa Shintoísta Amaterasu (A Deusa do Sol).
Sendo o Shintoísmo (Shintô significa Caminho dos Deuses) uma religião que prega a ascenção do ser humano ao nível dos deuses através de práticas de purificação física e espiritual, era bastante conveniente aos guerreiros dos primeiros tempos, mas com o desmembramento do Japão em feudos e pequenos reinados, muitas guerras internas surgiram e a classe dos samurais se viu diante de uma situação inusitada: ter que lidar com o fato da morte iminente, tanto sua como de seus adversários, e a própria impermanência de todas as coisas, que se lhes apresentava através das conseqüências das guerras e dos combates. É nesse contexto que surge o Budismo como uma altenativa para se poder trilhar um caminho de despertar para a realidade dos fatos da vida e de conforto espiritual.
Para o Shintoísmo, a morte é um fato impuro. Ao matar alguém, seja numa guerra ou em combate pessoal, o samurai tinha que se submeter a complicados ritos de purificação, dentro desse sistema. Já o Budismo, apesar de ter como uma de suas bandeiras a não-violência, não faz discriminação entre vida e morte, sendo esses, apenas dois aspectos da própria existência. São considerados como inseparáveis, assim como as duas faces de uma mesma moeda ou de uma folha de papel.
Àqueles que buscavam o Budismo para receber orientação sobre a vida-e-morte, os monges transmitiam os ensinamentos de Buda e os métodos de meditação, principalmente o Zazen.
É interessante notar que o Zazen passou a ser a técnica por excelência dos praticantes de artes marciais, pois além de levar a pessoa a despertar sua visão interior para contemplar a Verdade, ou seja, a vida-e-morte assim como ela é, proporcionava uma tranqüilidade mental e espiritual que se refletia na própria técnica do guerreiro.
O espírito do Zen passou a permear as artes marciais na prática. Um praticante de Ken-Jutsu (a arte da espada samurai), por exemplo, passou a utilizar o esvaziamento de sua mente e de seu espírito, tornando-se uno, primeiramente em si (corpo e mente), uno com sua espada (kataná), uno com seu adversário e assim, uno com o próprio universo. Nesse momento, não há mais matar ou morrer, ou ainda, o próprio matar torna-se o morrer, e morrer apenas o outro lado da mesma vida.
Com sua mente una e “vazia” como a própria imensidão do universo, os movimentos podem se desenvolver sem passar pelo critério da discriminação intelectual. O espadachim, sua espada e seu adversário tornam-se um só. O arqueiro, seu arco, sua flecha e o alvo tornam-se um só. Não há mais separação entre sujeito e objeto e assim as técnicas se concretizam por si só.
Entretanto, o Budismo prega o respeito pela vida e tem como um de seus votos principais o “não matar e não causar mal a nenhum ser vivente”. Como lidar com esse fato se a razão da vida de um guerreiro é o matar?
Foi dessa maneira que muitos samurais se recolheram aos templos budistas para meditar e assim buscar um caminho de libertação desse mundo em que sofremos e ao mesmo tempo trazemos sofrimentos aos outros seres.
Muitos foram os que se recolheram aos templos da escola Zen, outros nas escolas da Terra Pura, almejando alcançar um nascimento, um “renascimento” interior para o mundo da Vida e da Luz Infinitas.
Com o passar do tempo, as guerras tomaram outras proporções, armas de fogo muito mais sofisticadas começaram a ser utilizadas e a própria classe dos samurais foi extinta por édito imperial, mas o espírito dos antigos guerreiros continua vivo em muitos templos e “Dôjôs” (local de prática do Caminho), através das artes marciais.
A palavra Dô que encontramos nos nomes das artes marciais é um indício disso. Judô, Aikidô, Kyudô e etc. Dô é a leitura japonesa do ideograma chinês Tao, que dentre tantos significados tem o sentido de “Caminho”. Um caminho de aperfeiçoamento espiritual, um caminho de desenvolvimento interior, um caminho de unificação com o Absoluto.
Assim sendo, o Caminho do Guerreiro (Bushidô), se transforma no próprio trilhar do Caminho para a Iluminação (Butsudô), que é o Caminho pregado pelo Buda.

Rev. Wagner Bronzeri (Shaku Haku-Shin)
Monge budista da Escola Jôdo Shinshû, ramo Ôtani.
Templo Budista Apucarana Nambei Honganji.

Retirado do site Daissen - Portal Zen

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