31 de out de 2010

29 de out de 2010

Uma vida, um encontro!


Depois de desenvolver por muitos anos a confiança espiritual, quando adquirimos a técnica da não-técnica, é possível captar o momento já na sua concepção. É possível forçar o inimigo a sincronizar-se conosco capturando e controlando o seu espírito atacante. Mas a mente tem que estar vazia e pura: sem egoísmo, sem agressividade, sem cobiça, sem tempo.
Em qualquer encontro há apenas uma chance, ICHI GO ICHI E - uma vida, um encontro. Uma situação jamais de repete. A mente precisa estar sempre fresca e receptiva as vibrações de cada momento, pois o tempo não volta.



Fragmento retirado do livro: AIKIDO e a Harmonia da Natureza, autor: MItsugi Saotome, editora Pensamento

26 de out de 2010

Isoyama Sensei

O Eco da Montanha (conto)




Andavam pai e filho na montanha.
De repente, o menino cai se machuca e grita: - Aiiii!!!
Para sua surpresa, escuta sua voz se repetindo em algum lugar da montanha: - Aiiii!!!
Curioso o menino pergunta: - Quem é você?
E recebe como resposta: - Quem é você?
Contrariado grita: - Seu covarde!
E escuta como resposta: - Seu covarde!
O menino olha para o pai e pergunta, aflito: - O que é isso?
O pai sorri e fala: - Meu filho, preste atenção,
Então o pai grita em direção à montanha: - Eu admiro você!
A voz responde: - Eu admiro você!
De novo, o homem grita: - Você é um campeão!
A voz responde: - Você é um campeão!
O menino fica espantado. Não entende.
E o seu pai explica:
- As pessoas chamam isso de ECO, mas, na verdade, isso é a VIDA.
A VIDA lhe dá de volta tudo o que você DIZ, tudo o que você
DESEJA DE BEM E MAL AOS OUTROS. A VIDA lhe devolverá toda BLASFÊMIA, INVEJA, INCOMPREENSÃO, FALTA DE HONESTIDADE que você desejou, praguejou às pessoas que lhe
cercam.
NOSSA VIDA é simplesmente o REFLEXO das nossas ações.
Se você quer mais AMOR, COMPREENSÃO, SUCESSO, HARMONIA, FELICIDADE crie mais AMOR, COMPREENSÃO, HARMONIA, no seu coração.
Se agir assim, A VIDA lhe dará FELICIDADE, SUCESSO, AMOR das pessoas que lhe cercam.

24 de out de 2010

Estudos Marciais: Cabeça Ereta


Ao iniciar os exercícios, a principal preocupação do principiante consiste em adquirir uma forma perfeita dos movimentos. O mestre corrige, em cada movimento, centimetricamente, a posição do corpo. Cada parte do corpo deve conservar uma curva natural e estar o mais distendida possível.

A cabeça

Durante a execução dos movimentos, talvez convenha imaginar que a cabeça esteja suspensa por um fio, a fim de mantê-la bem ereta, sem, todavia, enrijecê-la por um esforço vountário. Essa posição da cabeça dá ao resto do corpo, e mais particularmente no tronco, a liberdade de adotar igualmente uma postura ereta, evitando o arqueamente das costas, liberando a caixa torácica e melhorando, por conseguinte, a respiração do praticante. Segundo os mestres, isso permite ao sopro colar-se as costas e a coluna vertebral, condição que proporciona o máximo de eficácia na emissão da força interior. Podemos observar que o arqueamento das costas e a inclinação da cabeça são, de hábito, sinais de senilidade; a correção desses efeitos libera a circulação sanguìnea e melhora portanto a saúde. Por outro lado, pelo mesmo motivo, o sistema nervoso central verá sua atividade aumentada, e o corpo, já relaxado e ereto, terá mais liberdade de movimentos e maior agilidade. Pois tal atitude desperta vitalidade, a vivacidade do espírito, a lucidez e confere ao corpo grande estabilidade.

Fragmento de texto retirado do livro: Tai Chi Chuan(Arte Marcial, técnica da longa vida), autora: Catherine Despeux, Editora Pensamento

21 de out de 2010

Aikido e Morihei Ueshiba O-Sensei (2)

Aikido e Morihei Ueshiba O-Sensei (1)

O maior dos guerreiros (conto)

O aluno perguntou ao mestre:
- Como faço para me tornar o maior dos guerreiros?
O mestre respondeu:
- Vá atras daquelas colinas e insulte a rocha que se encontra no meio da planície.
- Mas pra que, se ela não vai me responder? – retruca o aluno.
- Então golpeie-a com tua espada.
- Mas minha espada se quebrará!
- Então agrida-a com tuas próprias mãos. – Aconselha o mestre.
- Assim eu vou machucar minhas mãos – diz o aluno insatisfeito com as respostas do mestre – E também, não foi isso que eu perguntei, o que eu queria saber, era como eu faço para me tornar o maior dos guerreiros.
O mestre diz:
- O maior guerreiro é aquele que é como a rocha, não liga para insultos nem provocações, mas está sempre pronto para desvencilhar qualquer ataque do inimigo.

18 de out de 2010

Concentração (conto zen)



Após ganhar vários torneios de Arco e Flecha, o jovem e arrogante campeão resolveu desafiar um mestre Zen que era renomado pela sua capacidade como arqueiro.
O jovem demonstrou grande proficiência técnica quando ele acertou em um distante alvo na mosca na primeira flecha lançada, e ainda foi capaz de dividi-la em dois com seu segundo tiro.
"Sim!", ele exclamou para o velho arqueiro, "Veja se pode fazer isso!"
Imperturbável, o mestre não preparou seu arco, mas em vez disso fez sinal para o jovem arqueiro segui-lo para a montanha acima. Curioso sobre o que o velho estava tramando, o campeão seguiu-o para o alto até que eles alcançaram um profundo abismo atravessado por uma frágil e pouco firme tábua de madeira. Calmamente caminhando sobre a insegura e certamente perigosa ponte, o velho mestre tomou uma larga árvore longínqua como alvo, esticou seu arco, e acertou um claro e direto tiro.
"Agora é sua vez," ele disse enquanto ele suavemente voltava para solo seguro.
Olhando com terror para dentro do abismo negro e aparentemente sem fim, o jovem não
pôde forçar a si mesmo caminhar pela prancha, muito menos acertar um alvo de lá.
"Você tem muita perícia com seu arco," o mestre disse, percebendo a dificuldade de seu desafiante, "mas você tem pouco equilíbrio com a mente que deve nos deixar relaxados para mirar o alvo."

15 de out de 2010

Haikai

"Eu sofro de mimfobia
Tenho medo de mim mesmo
Mas me enfrento todo o dia."

Millôr Fernandes

10 de out de 2010

O Credo do Samurai

Segue um poema entitulado “O Credo do Samurai”. Este poema foi o prefácio de uma cópia do Sun Tzu – A arte da guerra, escrito a 2400 anos atrás. O poema em si é atribuido a um Samurai desconhecido do século 14. Acredita-se que esse poema foi uma tentativa de se escrever o que não era escrito, apenas passado verbalmente de mestre para aprendiz, de senhor para servo, e de pai para filho sobre o Bushido.

A parte em negrito é o poema em sí


O CREDO DO SAMURAI


Eu não tenho Pais;
Eu faço do Céu e da Terra meus Pais


Não significa descartar as figuras paternas,
mas ver a si mesmo como um filho do Universo.
Um ser feito da mesma matéria e energia que todas as coisas.

Eu não tenho Poderes Divinos;
Eu faço da minha Honestidade meu Poder Divino.


O poder da verdade e da honestidade com o mundo e todos seus representantes,
sem devaneios, apenas a realidade na mente, equivale à graça divina.

Eu não tenho Lar;
Eu faço de Tan T’ien meu Lar.


O Tan T’ien é o nome dado ao nosso Eu interior… lá , e somente lá o Samurai está em casa.
Lar não é um lugar, lugares mudam, são vulneráveis, o Lar da própria mente no entanto é eterno.

Eu não tenho Meios;
Eu faço da Docilidade meus Meios.


Humildade e aceitar o que o destino te determinou.
O Bushido é mais importante do que riqueza e notoriedade, o Samurai leva sua vida de acordo com ele, sem desperdiçar tempo à caça de fama e fortuna.
Obediência e lealdade ao Daimiyo é o unico meio de que o Samurai precisa.

Sua docilidade lhe proverá de tudo.

Eu não tenho Poderes Mágicos;
Eu faço da minha Personalidade meus Poderes Mágicos.


Auto explicativo. Sua personalidade é o seu poder, é a única mágica que você realmente possui, e tudo oque você realmente precisa.

Eu não tenho Vida nem Morte;
Eu faço de A Um minha Vida e Morte.

A Um é o nome dado à alma imortal, eterna.
É o estado do espirito entre uma encarnação e a próxima.
Tsunetomo Yamamoto diz em seu livro (um dos mais compreensivos sobre o Bushido), O Hagakure :
“…O Caminho do Samurai, se encontra na morte…”
Toda a vida do Samurai é uma preparação para uma morte digna.

A visão da vida como um estado transitório, apenas mais um ciclo de sua existência, assim como a morte.

Eu não tenho Corpo;
Eu faço do Estoicismo meu Corpo.


Para um guerreiro, ser estóico perante a batalha é a maior virtude.
Para o Samurai, nós não somos carne. Somos espírito, somos atitude.
Não é o quanto nós vivemos, mas como nós vivemos o que realmente importa.
O Grande Samurai Miyamoto Musashi costumava dizer:
“A vida de alguém é limitada, honra e respeito são eternos.”

Eu não tenho Olhos;
Eu faço do Raio do Relâmpago os meus Olhos.


Nossos olhos são ferramentas fantásticas, mas mesmo quando perfeitos, podem nos pregar peças.
Mágicos ilusionistas, Cinema e a TV são provas disso.
O Samurai treina para atingir um estado mental chamado de Mushin, com a mente calma e vazia, e como os olhos observando o mundo como através de uma lente grande angular, que como o relâmpago, vê o todo num instante.
Ter confiança na conexão do A Um com o Universo, e sua intuição.

Eu não tenho Ouvidos;
Eu faço da minha Sensibilidade meus Ouvidos.


Não crer no que você ouve só por que está ouvindo aquilo.
Analise com sensibilidade, razão e lógica.
Palavras não querem dizer nada até serem processadas com inteligência.

Eu não tenho Membros;
Eu faço da minha Prontidão meus Membros.


Ninguém precisa pensar para andar, os movimentos simplesmente acontecem.
O Samurai não precisa pensar no que fazer para se defender, apenas que estar em prontidão para saber a hora de se defender, os movimentos, vem naturalmente, como andar.

Eu não tenho Leis;
Eu faço da Proteção Pessoal minha Lei.

Apesar do conceito de vida do Samurai ser bem mais amplo, este cultiva grande apreço pela própria integridade, pela aptidão a estar pronto para lutar.
O ritual diário do Samurai, é intrinsicamente ligado ao seu relacionamento com a espada, envolve várias minucias que incluem o jeito certo de andar, sentar-se, fazer reverência, e até descansar sempre sem perder de vista a forma mais eficiente de desembainhar a espada e entrar em combate em caso de perigo.
O Samurai vai sim defender seu senhor com a vida, mas sem se descuidar da própria.

Eu não tenho Estratégia;
Eu faço do “Direito de Matar e Restaurar Vida” minha Estratégia.


Herança do Xintoísmo, e seu preceito de que “A espada que derrota o mal, restaura a vida”.
Hoje pode ser interpretado de forma mais leve, aquele que combate a injustiça de uma forma geral, restaura a vida.
Mas a frase se refere ao Japão feudal, quando ainda não existia um estado unificado e as leis e a ordem eram impostas sob o fio da espada.
Então, quando um facínora era morto, sua morte beneficiava a vida de todos os demais, pois estes não mais seriam importunados por ele, tornando a existência deles melhor, de certa forma restaurando-lhes a vida.

Eu não tenho Planos;
Eu faço da “Captura das Oportunidades pelos Colarinhos” meus Planos.

Mais uma vez um indicativo de como viver um momento por vez é importante para o Samurai.
O Bushi vivia em uma época de poucas constantes, basta nos lembrar que a localização e geografia do Japão,
com seus tufões, terremotos e clima rigoroso, fazem dele até hoje um ambiente inóspito.
Some-se a isso guerras entre clãs e duelos pessoais, e vai ter ideia do porque o Samurai valorizava tanto cada momento.

O Samurai vive cada momento como se fosse o ultimo daquela existência. Apesar de ver a vida de uma forma mais ampla,
cada ciclo de existência gera um karma, levar bom karma para a próxima vida (através de uma morte digna) é seu unico propósito.

Eu não tenho Milagres;
Eu faço das Leis Justas meu Milagre.

As leis justas são as leis da natureza,
que é o maior milagre de todos.

Eu não tenho Princípios;
Eu faço da Adaptabilidade a todas as circunstâncias meu Princípio.


Uma das lendas nipônicas sobre a origem do Jiu-Jutsu, chamada “A cerejeira e o Salgueiro“, conta a história de um médico e filósofo chamado Shirobey Akiyama.
Precursor da medicina psicossomática ele também deu origem à uma das maiores heranças do Japão observando o comportamento dos galhos de cerejeira e do salgueiro sob a neve.
Os galhos da cerejeira permaneciam firmes enquanto a neve se acumulava, até o ponto em que não suportavam mais o peso e se quebravam.
Os galhos do salgueiro por sua vez, iam sedendo até o ponto que a neve caía de cima deles e estes voltavam à posição inicial.
Em resumo, devemos ser resilientes para não quebrar.

Eu não tenho Táticas;
Eu faço do Vazio e do Pleno as minhas Táticas.


O caminho do vazio é o caminho do início, onde todas as coisas são novas, onde cada novo passo é um estado de graça.
Ser pleno, é perceber o mundo com a admiração que tinhamos quando crianças, quando tudo era novo e impressionante.
Nós planejamos muito. Vivemos tão longe no futuro, que às vezes nos esquecemos do aqui e agora, onde as nossas vidas estão acontecendo.

Eu não tenho Talento;
Eu faço da minha Perspicácia meu Talento.


Não precisamos de talento, tudo o que precisamos é de uma mente apta a ver e entender, e podemos saber tudo, e ser tudo pois aprenderemos conforme seguimos adiante.

Eu não tenho Amigos;
Eu faço da minha Mente minha Amiga.


Nós vivemos muito dependentes de outras pessoas, para companhia, para o amor, para a felicidade.
Se queremos ser felizes, devemos ser felizes com a pessoa com a qual nós já nascemos, nós mesmos.

Eu não tenho Inimigos;
Eu faço da Inadvertência meu Inimigo.


As palavras impensadas, a coisa errada feita às pressas.
Estes são os inimigos.
Coisas feitas sem cautela são nossa unica ruína.

Eu não tenho Armadura;
Eu faço da minha Benevolência minha Armadura.


Não precisa de armadura aquele que não corre perigo.
Não corre perigo aquele que não oferece perigo e é benevolente.
Isso significa que nunca teremos problemas? Claro que não, apenas que não vamos procura-lo.
A armadura te dá uma falsa sensação de segurança. Ausência de culpa e sabedoria são nossas unicas reais defesas.

Sem culpa, sem punição, e sábio não se colocar no caminho de problemas ou perigo.

Eu não tenho Castelo;
Eu faço da Mente Impassível meu Castelo.


Castelos são grandes pedras empilhadas como um jogo de blocos para crianças, apenas maiores…
Castelos com suas torres e cidadelas eram visões dissuasivas, mas não impenetraveis, e isso já a vários séculos atrás. Com o advento dos novos meios de guerra (Bunker-busters, armas termobáricas, laser de estado sólido aerotransportado, etc…) a mais incrível fortificação pode ser feita em migalhas em um piscar de olhos… Nosso único e sacrossanto refúgio é nossa mente, onde podemos realmente ser intocáveis.

Eu não tenho Espada;
Eu faço de Mushin minha Espada.


Mushin é o estado mental do vazio,
da perfeição do zero.
Um estado mental de puro potencial,
sem a busca pelas ações e portanto pronto para qualquer coisa.

Se entrar em confronto, seu rival é todo o adversário de que você precisa,
deixe de lado o embate consigo mesmo,
seus conceitos e preconceitos não tem valia, são uma carga dispensável neste momento.

Em mushin estamos a encargo do incrivel potencial latente do nosso subconciente.



Referência: Poema e explicações retirado do site:http://www.canseidesercowboy.com.br/blog/2010/01/

8 de out de 2010

Kashiwaya Sensei - Técnicas de Kenjutsu

Atenção Plena Correta 2

Todo o propósito do ensinamento de Buda é sobre o domínio da mente. Se você conseguir dominar a mente, terá domínio sobre o corpo e a fala...O domínio da mente é atingido através da consciência constante de todos os seus pensamentos e ações...Ao manter constantemente esta atenção plena durante a prática da tranquilidade e da percepção, você conseguirá sustentar o reconhecimento da sabedoria, mesmo no meio das atividades cotidianas e das distrações. A atenção plena é portanto a base de tudo e a cura para todas as aflições do samsara.

Dilgo Khyentse Rinpoche, JOURNEY TO ENLIGHTENMENT

5 de out de 2010

Estudos Marciais: Tratado de Taiji Quan atribuido a Zhang Sanfeng


"A partir do menor movimento, todo o corpo deve estar leve e ágil, com todas as partes ligadas. Convém estimular o sopro, concentrar o poder espiritual, fazer de modo que os movimentos não apresentem nenhuma ruptura, que não tenham reentrância nem saliência e não apresentem descontinuidade. A energia enraíza-se nos pés, desenvolve-se nas pernas, é comandada pela cintura e manifesta-se nos dedos. Dos pés às pernas e a cintura, é mister uma unidade perfeita, assim seremos capazes, no avanço e no recuo, de captar o momento propício e obter uma posição vantajosa. caso o contrário, o corpo será deslocado. defeito proveniente das pernas e da cintura.
Aplica-se o princípio seja qual for a direção. Tudo isso é um caso de intenção e não uma coisa exterior. O alto não vai sem o baixo, nem a direita sem a esquerda, nem o dianteiro sem o traseiro, se a intenção é ir para cima, coloquemos o pensamento voltado para baixo. exatamente como quando queremos arrancar uma planta; se lhe acrescentarmos a idéia de torção, é certo que a própria raiz se romperá e será rapidamente destruída. Convém distinguir claramente o "vazio" do "cheio". Cada parte do corpo corresponde ao "vazio" ou à "plenitude". O corpo deve estar ligado, articulação por articulação, sem nenhuma descontinuidade."

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...